O poema do professor Roberto Ricardo

[O poema do professor Roberto Ricardo]

Rob, Roberto Ricardo do Amaral Reis, que, juntamente com Frederico Fausto Agostinho de Mello e Ivus Conde Ideburque Leal, forma a trinca dos nomes mais musicais de Paulo Afonso, foi meu colega de campus na PUC de Salvador. Ele terceiro ano de Geografia e eu primeiro de Letras. Uma sua irmã minha professora de Literatura Brasileira e outra secretária do nosso Instituto de Letras.

Vim para Paulo Afonso em 1974. Estava vindo para o fim do mundo, noção rapidamente prejudicada quando, na primeira vinda ao Colepa, vejo a figura de Rob se locomovendo no corredor.

Estávamos na solenidade de posse da nova diretoria da Academia de Letras de Paulo Afonso. Franqueada a palavra, o acadêmico Roberto Ricardo, nosso decano, declamou, para gáudio de todos os presentes, o poema Deus de Olavo Bilac. Na experiência do Colepa, eu havia encontrado Rob. Nesta da posse da diretoria, o reencontrei no poema de Bilac.

Na verdade, o reencontro me transportou de volta ao meu segundo ano primário, nos meus oito anos de idade. Lá, aconteceu o meu primeiro encontro com o poema. É o que passo a transcrever para o leitor ávido de poesia em um mundo cada vez mais cético, senão ingrato. Vai como está registrado na minha cabeça de menino aplicado de segundo ano primário:

“ - Octávio”, diz o mestre, “já que tudo sabe, venha cá.

Em que ponto da extensão terrestre,

ou da extensão celeste, Deus está?”

Por um momento apenas fica mudo Otávio

e logo esta resposta dá:

“ - Eu, senhor mestre, lhe daria tudo se

me dissesse onde é que Ele não está!”


Francisco Nery da Silva Júnior

Foto: Fotos: Gabriela Rodrigues - Ascom/CMPA
Fonte: https://www.folhasertaneja.com.br